Sep 15, 2008

Regresso a Honiara

Embarquei em Brisbane de regresso a Honiara na Sexta feira.. Com un sorriso, o comandante do voo saúda-me: “então, já está de regresso”. “Sim, com menos um dente”, respondo.

Uns dias após o nosso regresso de Portugal, o David e eu ficámos doentes - uma infecção respiratória e malária. Continua a ser um mistério onde apanhámos a malaria. O período de incubação é suposto ser de 7 dias, no mínimo (para este tipo de malária), e o David adoeceu 3 dias após o nosso regresso. Consultámos outro médico uma semana depois que emitiu algumas dúvidas. “Existem muitas vezes erros na análise dos testes”, diz nos ele. Enfim, o que é certo é que o tratamento foi super eficaz. Um dia após ter ingerido o comprimido e pela primeira vez em 6 dias, o David acordou sem febre!

Entretanto, comecou-me a doer um dente. Ainda fui ao hospital de Honiara (li algures que os serviços dentários eram excelentes). Um quarto escuro, uma cadeira que conheceu melhores dias, alguns “ferramentas” básicas, um lavatório castanho de ferrugem, paredes com manchas amarelas..”É só para confirmar que se trata de um abscesso” digo eu ao dentista, duas ou três vezes, sentando-me com alguma relutância na cadeira. Ainda tirei um RX. A revelação é feita manualmente. Uma pequena caixa com luzes infra vermelhas, três pequenas tigelas no interior com líquídos para a revelação, secagem e fixação. Aprendemos as 2 técnicas” diz me o dentista assistente que acabou o curso nas ilhas Fiji.
Ainda quis pagar mas não o hospital não sabia quanto cobrar. Deixei uns dólares a título de doação. E assim lá fui, rumo a Brisbane para tratar-me. Como é costume, voltei com chocolates, biscoitos, remédios, livros. Foi uma festa.

Ontem, Domingo fomos à praia a cerca de 15 minutos de Honiara. Bonegi beach. A praia está situada numa antiga plantação de coqueiros que teria pertencido a uma senhora de nacionalidade suiça. Pagámos a entrada, 20 doláres (cerca de de 2 Eur). Se tivéssemos um Hilux, o pagamento seria de 25 dólares. Espaços públicos são raros assim como a noção de propriedade privada, sobretudo nas zonas rurais. Tudo pertence às comunidades: praia, terra, rios, àrvores, fruta. Como não há registos cadastrais, as disputas são frequentes. Alguns “resorts” foram construídos em Guadalcanal, como em outras ilhas, com base nums acordos firmados com as comunidades. Muitos foram no entanto destruidos durante as “tensões” (como é conhecida aqui a guerra civil que lavrou em Guadalcanal entre 1999 a 2003), outras comunidades reclamando a propriedade
da terra. Quem quer investir nesta condições? Não é fácil estimular o turismo.

O Samuel chegou a Bonegi de bicicleta, e com um sorriso rasgado (boca e os poucos dentes tingidos do vermelho caracterísitico do betel), fez a pergunta da praxe. "Where are you from"? Nasci no Zimbabwe, diz o Paul e falámos sobre o Mugabe e sobre o acordo prestes a ser assinado.
"Então e tu" pergunta me ele? "De Portugal", digo eu. Fica a pensar um pouco e diz me. "Acho que Fátima fica em Portugal não é? é que eu sou católico e conheco, de nome, muito dos lugares santos". É raro a menção de Portugal despertar qualquer reacção. E quando isto acontece falam me invariavelmente de Ronaldo. Religião e futebol! Sempre 2 excelentes referências!

O Samuel fala-nos no barco que está afundado a 20 metros da costa. É japonês e foi bombardeado por volta de 1942. A tripulação ainda conseguiu manobrar o barco para chegar à costa e fugir para o mato. Diz o Samuel que os Americanos traziam cães a bordo para perseguir os fugitivos (assim como cavalos para puxar máquinas de guerra ou veículos quando ficavam encalhados).

Lembra-me a história daqule Japonês que, em 1965, foi localisado na ilha de Vella Lavella (na Província Oeste) resistindo estoicamente. Foi preciso distribuir alguns panfletos assegurando que a guerra tinha acabado, há já algum tempo... para que o coitado finalmente regressasse a casa, após 20 anos no mato.

Hoje o barco afundado é uma diversão para todos nós com a sua abundante fauna marina. Pela primeira vez, o David nadou sósinho até ao barco com as barbatanas e a máscara.

1 comment:

Rui Sousa said...

Grande B. muitos parabéns pela entrada de leão no blog. É mesmo disto que eu gosto. Histórias exóticas e de aventura, para fugir do cinzentismo da rotina ocidental. Ainda bem que o David recuperou. Vou ser um fiel leitor. Manda mais ......e grande bj.